Cavaco Silva faz o discurso do PSD e indigita Passos Coelho para formar governo contra maioria parlamentar de esquerda



Helder Castro
Lisboa - O presidente de Portugal, Cavaco Silva, ex-primeiro-ministro do PSD, anunciou, nesta quinta-feira (22), em discurso ao país, a indigitação do líder da coligação de direita PSD-CDS, Passos Coelho, para formar governo.
Num discurso marcado pelo conservadorismo e pela preocupação em assegurar políticas de continuidade de austeridade e afirmando-se como intérprete dos interesses nacionais, Cavaco Silva disse lamentar "profundamente" que PSD, CDS e PS não tenham chegado a acordo.
O presidente da República, em vésperas de concluir o mandato, teceu diversas considerações sobre a democracia portuguesa, num registo de exclusão das forças políticas de esquerda. Cavaco Silva considerou que um governo de esquerda em Portugal prejudicaria os interesses nacionais. "Receio muito uma quebra de confiança" dos credores e instituições internacionais.
Cavaco Silva, em diversos momentos da sua comunicação, dividiu o país em dois blocos, que designou por "europeístas" e "anti-europeístas", criando um sentimento de divisão e instabilidade.
Comentadores políticos e dirigentes dos partidos de esquerda enfatizaram, nas primeiras reações ao discurso, que ao optar por indigitar Passos Coelho, cuja coligação de direita obteve maioria de votos mas sem maioria parlamentar, o presidente da República abriu caminho a um governo de gestão que, de acordo com constitucionalistas, deverá ter vida efémera, já que o Partido Socialista, Bloco de Esquerda e Partido Comunista, que detêm, em conjunto, maioria parlamentar na Assembleia da República, anunciaram que não aprovarão o programa do Executivo de Passos Coelho.

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