Frente Popular intensifica jornada nacional contra tentativa de golpe no Brasil



Tatiana Félix Adital - A Frente Brasil Popular realiza, nesta quinta-feira, 31 de março, a Jornada Nacional "Em defesa da democracia: golpe nunca mais”, em várias cidades do país. Mais de 60 organizações dos movimentos sociais e sindicais participam da articulação, que protestam também contra o ajuste fiscal e a reforma da previdência.
De acordo com Janeslei Albuquerque, secretária nacional de Relação com os Movimentos Sociais da Central Única dos Trabalhadores (CUT) – entidade integrante da Frente –, a marcha tem caráter de conscientização. "Vamos fazer a jornada nacional em todas as cidades do Brasil, conscientizando e mostrando para o trabalhador que esse golpe não é apenas contra o governo, é contra o conjunto dos direitos dos trabalhadores. Porque o que é que os golpistas defendem? Terceirização ilimitada, fim da previdência, fim da licença maternidade, fim dos direitos das férias”, explica em entrevista à Adital.

Segundo ela, a maioria da população que elegeu a presidenta Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores – PT) ainda não foi às ruas para se manifestar e dizer não à tentativa de golpe. Mas ela acredita que a adesão aumentará de forma espontânea, assim como ocorreu no último dia 18 de março, quando o ato lotou as ruas de várias cidades do país, "sem convocação de nenhuma empresa de comunicação”.

"Na Paulista [uma das principais avenidas de São Paulo], nós éramos 400 mil pessoas, sem nenhuma convocação das grandes empresas de comunicação de massa, que, dia e noite, martelam uma única versão dos fatos, um único discurso. Aquele que é ditado pelos donos das empresas, pelos patrões da Fiesp [Federação das Indústrias de São Paulo], pelas associações patronais, do agroveneno, da indústria de armas, da indústria da violência, e que não é o discurso da diversidade do povo e das organizações populares do Brasil”, analisa Janeslei.

Apesar da jornada ser contra o processo de impeachment da presidenta, Janeslei afirma que o ato não é, exatamente, de apoio ao governo. "Não é apoio ao governo. É apoio na medida em que nós não aceitamos que esse governo sofra um golpe porque ele foi eleito com 54 milhões de votos do povo brasileiro. Então, nós defendemos a permanência do governo sim e continuamos fazendo a disputa de projeto econômico, a disputa de projeto no campo da política, não fora da política. Porque fora da política é golpe”, enfatiza.

Citando o educador brasileiro Paulo Freire, ela lembra que, apesar do movimento ser contra a política econômica da presidenta Dilma, a mobilização popular pretende denunciar o golpe e anunciar uma "sociedade democrática, igualitária com direitos e com ampliação da democracia”, e não à restrição dos direitos democráticos tão duramente conquistados. Para ela, o atual cenário de crise política tem sido produzido e agravado pelas manobras do Congresso Nacional.

Para explicar o processo de impeachment e o porquê deste ato se configurar em uma tentativa de golpe, o Comitê Pró-Democracia, instalado no último dia 23 de março, na Câmara dos Deputados, e com participação de organizações da sociedade civil, lançou o site Mapa da Democracia. Nele, é possível enviar mensagens aos deputados que integram a Comissão do Impeachment. Para acessar, clique aqui.

Agenda de mobilizações

Em São Paulo, a concentração começa às 16h na Praça da Sé, Centro da capital, com o Canto pela Democracia. Em Alagoas, o ato acontece na Praça do Montepio, à partir das 15h. Juristas e artistas de Sergipe também se reúnem pela democracia à partir das 20h, na Orlinha do Bairro Industrial, em Aracaju.

Em Foz do Iguaçu, no Paraná, a passeata sai do Bosque Guarani e segue até a Praça do Mitre, onde haverá um ato político-cultural. Várias cidades gaúchas também preparam manifestações para a tarde desta quinta-feira.

Em Fortaleza (Ceará), a manifestação em defesa da democracia e contra o golpe se estenderá por três dias e contará com a presença do ex-presidente Lula. Na quinta-feira (31), a concentração está marcada para iniciar às 15h na Praça da Bandeira, no Centro, e seguirá até o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura [Praia de Iracema]. Na sexta-feira, dia 1º, o protesto será contra a mídia golpista, na Praça da Imprensa, onde está localizada a sede da TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo no Estado, a partir das 17h. Já no sábado, dia 02 de abril, a manifestação se encerra com um ato show, que terá a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Praça do Ferreira, Centro da cidade.

Confira a programação de outras cidades e mais detalhes pela fanpage da Frente Brasil Popular noFacebook; ou acesse o site: http://frentebrasilpopular.com.br/.

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