Secretário-geral do PCP recebe Dilma Rousseff e elogia governos do PT



Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP

Lisboa - O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) recebeu, nesta terça-feira (14), em Lisboa, a ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff, expressando-lhe solidariedade face à sua destituição (impeachment), considerada pelos atuais dirigentes comunistas um "golpe de estado".

Jerónimo de Sousa manifestou a "posição solidária" do seu partido, bem como de "denúncia e condenação do autêntico golpe de estado que representou a sua ilegítima destituição", segundo comunicado divulgado pela quarta força política no Parlamento português, depois do Partido Socialista (PS), Partido Social Democrata (PSD) e Bloco de Esquerda (BE).
De acordo com a nota, o PCP caracteriza o afastamento de Dilma Rousseff, - votado por ampla maioria do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado), num processo escrutinado pelo Supremo Tribunal Federal - como uma "operação golpista dirigida contra o processo de sentido progressista e de afirmação soberana que teve lugar no Brasil desde 2003, com a eleição do presidente Lula da Silva".

Jerónimo de Sousa manifestou apoio aos "comunistas e outros democratas, patriotas e progressistas brasileiros" e sua "resistência face à ofensiva contra os direitos, a democracia e a afirmação soberana do Brasil conduzida pelo governo golpista de Michel Temer e pelo prosseguimento do caminho das transformações políticas, económicas e sociais que os trabalhadores e o povo brasileiro anseiam", noiticia a agência Lusa.

Dilma Rousseff, tal como Luiz Inácio Lula da Silva, está ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu no âmbito da Operação Lava Jato, conduzida pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Feedral, relativa ao envolvimento de dezenas de grandes empresários e políticos brasileiros em esquemas bilionários de corrupção, que foram estendidos a vários países lusófonos, entre os quais Portugal, Angola e Moçambique.

Após cerca de 14 anos de governos liderados pelo PT, aliado a partidos de direita e centro-direita, o Brasil mergulhou, sob a presidência de Dilma Rousseff, em grave recessão econômica e instabilidade política. De acordo com os critérios oficiais, mais de 12 milhões de brasileiros foram lançados no desemprego.

Nessa conjuntura política, com grande parte da população a exigir o afastamento de Dilma Rousseff, o vice-presidente da República e líder do PMDB, Michel Temer, até então o mais importante aliado do PT, assumiu a Presidência da República.

O processo, conforme a Constituição do país, foi escrutinado pelo Supremo Tribunal Federal, cujos integrantes, na sua maioria, foram indicados para o órgão máximo da Justiça brasileira por Lula e Dilma.

Dilma Rousseff está em Lisboa para participar da conferência "Neoliberalismo, Desigualdade, Democracia sob Ataque" organizada por várias entidades, entre elas a Fundação José Saramago e Casa do Brasil.

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