
Uma economia de baixo carbono, movida a energias renováveis a um preço acessível: um cenário buscado pelo mundo e no qual a experiência do Brasil pode servir de guia. É isso que move a força-tarefa de Transição Energética e Clima do B20, liderada pelo CEO da Raízen, Ricardo Mussa.
“O Brasil é um bom exemplo para África, Índia, Ásia do que pode para ser feito. A gente está na hora certa, no país certo e tem exemplos claros para mostrar. A gente tem tecnologia, gente com conhecimento, tem processo, tem história. Não é acadêmico. É prático. Temos a prática que pode ensinar o resto do mundo e dar confiança que é possível fazer”, afirma Mussa.
Essa é a terceira vez que o empresário participa do fórum de discussão sobre o tema no B20. O brasileiro foi o número dois da força-tarefa sobre transição energética nas duas últimas edições, quando Índia e Indonésia lideraram o grupo.Composto por sete forças-tarefas e um conselho de ação, o Business 20 é o fórum empresarial dos países do G20. Ao longo dos próximos meses, os oito grupos temáticos discutem recomendações para apresentar aos chefes de Estado na cúpula do G20, no segundo semestre.
Cada força-tarefa pode representantes de 100 a 200 entidades do setor privado e a seleção considera diversidade de gênero, países e setores. Ao todo, os grupos reúnem mais de mil integrantes.
Para 2024, a intenção de Mussa é adotar uma postura mais prática para que as propostas saiam do papel. “Se você apresentar uma conta impossível, ela vira acadêmica. Temos de pensar no que é razoável, o que é mais fácil de atingir com o menor esforço e quantidade de dinheiro possíveis. O setor privado pode ajudar muito nisso pois essa é a realidade das empresas, é nosso cotidiano. A gente é obrigado a olhar e tomar decisões daquilo que faz sentido, inclusive econômico”, completa.

"Temos que pensar no que é razoável, o que é mais fácil de a gente atingir com o menor esforço possível, menor quantidade de dinheiro possível", afirma Ricardo Mussa, líder da força-tarefa.
No dia a dia, a empresa liderada por Mussa é referência na produção de biocombustíveis e no setor de energia, sendo a segunda maior distribuidora de combustíveis no país no ano-safra 2022/2023.
Em 2023, a recomendação da força-tarefa de Energia, Mudança Climática e Eficiência de Recursos foi fortalecer a colaboração global para acelerar a transição para a emissão líquida zero de gases de efeito estufa. O caminho apontado para chegar lá foi a aceleração do desenvolvimento e da comercialização de tecnologias de energia renovável por meio de políticas coordenadas e de um pipeline maior de projetos nesse sentido.
Hoje, a oferta mundial de fontes renováveis de energia, como solar, eólica e hídrica, entre outras, representa apenas 8%, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia de 2022. Isso representa um aumento de 0,4% em relação a 2021. Entre 2023 e 2030, o crescimento precisa ser de 13% anual para atingir um cenário net zero, segundo a agência.
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