Especialistas alertam para os possíveis efeitos emocionais dessa transição, como ansiedade e irritabilidade, principalmente entre estudantes acostumados a verificar notificações constantemente. A ausência do dispositivo pode criar uma sensação de estar desconectado de eventos importantes, fenômeno conhecido como FOMO, (Fear of Missing Out, ou “medo de ficar de fora”).
Marizane também destaca que os impactos podem se manifestar de forma física. “A abstinência do uso do celular pode levar alguns jovens a sentir sintomas como as chamadas ‘dores fantasmas’, quando acreditam que o celular vibrou ou está em suas mãos, mesmo não estando. Essa reação é comparável à de pessoas acostumadas com hábitos repetitivos e que de repente se veem privadas deles”, observa a pedagoga.
O desafio também se estende aos próprios educadores, que precisam se adaptar a essa nova realidade. “O professor também vai precisar mudar. Ele também vive a dependência e vai lidar com alunos que estão em abstinência e tédio, que possivelmente serão mais questionadores e atentos”, pontua Marizane. Essa adaptação pode exigir um olhar mais atento e uma abordagem que fomente o envolvimento dos alunos em atividades sem a mediação de telas.
Por outro lado, a proibição pode ter seus benefícios. Marizane acredita que, com apoio da escola, a ausência dos celulares pode levar os estudantes a desenvolverem habilidades de adaptação, resiliência e socialização mais efetiva. “O tempo longe das telas também pode incentivá-los a se envolverem mais nas atividades escolares, a explorarem novos interesses e a desenvolverem suas habilidades sociais. Essa experiência pode ser uma chance de crescimento, onde eles redescobrem o valor da interação direta e aprendam a gerenciar o tédio e a ansiedade sem a ajuda de dispositivos digitais”, afirma.
Com apoio da escola e dos professores, essa experiência de abstinência digital pode ajudar os alunos a desenvolverem uma relação mais equilibrada com a tecnologia. A proibição pode levá-los a perceber que o celular é uma ferramenta útil, mas que a dependência excessiva limita suas habilidades e experiências no mundo real. “Aprender a lidar com a falta do celular pode abrir a mente dos alunos para a importância de um uso consciente e responsável da tecnologia, preparando-os para uma vida mais equilibrada”, conclui Marizane Piergentile.
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