Até o dia 9 de outubro, a Casa Seva apresenta, em parceria com a Janaina Torres Galeria, a exposição individual “Invenção da Paisagem-Memória”, da artista visual mineira Jeane Terra. A mostra exibe pela primeira vez a pesquisa inédita “Memória da Ecologia”, dedicada à investigação dos mecanismos de resiliência da natureza diante da devastação provocada pela ação humana.
Reunindo cerca de 12 obras entre pinturas, esculturas em vidro soprado, videoinstalação e uma instalação inédita, a exposição tem curadoria assinada por Heloísa Amaral Peixoto e marca o início desse novo ciclo de investigação da artista.
A pesquisa dá continuidade ao percurso que Jeane desenvolve em torno da memória e do apagamento de territórios. Após dedicar seus trabalhos recentes a cidades destruídas ou submersas, como em “Escombros, Peles e Resíduos” (2021), sobre Atafona, e “Territórios, Rupturas e suas Memórias” (2022), inspirada pelas cidades baianas inundadas pela construção da barragem de Sobradinho, a artista passa a investigar a própria natureza e as estratégias que plantas e paisagens desenvolvem para sobreviver e se regenerar diante da degradação ambiental.
Na Casa Seva, espaço dedicado à sustentabilidade, à arte e à cultura, Jeane apresenta pinturas em “pele de tinta”, esculturas em vidro soprado manualmente e uma videoinstalação. Desenvolvida e patenteada pela artista, a técnica “pele de tinta” combina tinta acrílica, aglutinante e pó de mármore. Após a secagem, as superfícies recebem bordados em ponto cruz, técnica aprendida com sua avó e incorporada à sua prática artística.
Entre os trabalhos inéditos estão três grandes pinturas pixeladas em “pele de tinta”, dedicadas ao aguapé e ao mangue, espécies que se fortalecem e se multiplicam em condições extremas de alagamento. Completa esse núcleo a instalação “Floresta de peles”, composta por moldes em látex retirados diretamente da casca de árvores. As peças preservam as texturas da vegetação como uma espécie de impressão digital da paisagem, propondo uma reflexão sobre memória, permanência e transformação.
A exposição também reúne obras de pesquisas anteriores, evidenciando a continuidade entre os diferentes momentos da produção da artista. Entre eles está uma pintura em grande formato dedicada a uma igreja do século XVIII, submersa após a construção da barragem de Sobradinho, além de duas obras inspiradas nas ruínas de Atafona.
Outro destaque é a série de esculturas em vidro soprado “Cápsulas de Memória”. Duas delas, uma de parede e uma de pedestal, recebem monotipias aplicadas sobre o vidro. Outras duas encapsulam moldes de cerâmica produzidos a partir de escombros recolhidos pela artista nas cidades de Remanso e Sento Sé, na Bahia.
Local: Casa Seva | Alameda Lorena, 1257, Vila Modernista, Casa 1, São Paulo/SP

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